Era uma vez um garoto e era uma vez uma rosa. Eram tantas as vezes o garoto e a rosa que um belo dia eles se tornaram um.
Desculpem-me o mal jeito... Vou começar de novo.
Era uma vez um garoto, pequenino dos olhos cinzas, tinha em seu aposento uma pequena porém delicada roseira. Mas a roseira não dava rosas, somente espinhos e isso o entristecia. Todos os dias o pequenino ia lá regá-la com esperança de que um dia ele veria nascer uma bela rosa vermelha... Dias se passaram, meses se passaram, e numa noite de lua cheia, entristecido por não conseguir sua preciosa rosa, o menino chorou.
Suas lagrimas caiam de leve e acabaram por regar a roseira, e em meio a prantos o menino dormiu. A roseira porém atendeu ao seu pedido e transformou suas lágrimas na mais bela rosa vermelha.
No dia seguinte, ao se deparar com tamanha beleza da nova flor que surgia, o menino se fez alegre e cuidou da rosa para que não envelhecesse depressa. E não envelheceu.
Cada vez, mais e mais, o pequeno garoto se perdia em admiração à rosa até que desejou ser tão belo quanto ela. Queria se tornar uma rosa.
O problema meus caros, é que rosas tem espinhos.
E assim que abriu os olhos, eis que surgia um misto de garoto, beleza e espinhos. E como se tornara um menino belo... Mas rosa é uma flor complicada...
No começo todos o amaram, meninas de todos os cantos vinham para lhe cortejar, queriam para si o tão belo menino, mas ao chegarem perto, seus espinhos as machucavam. No começo ele não se importava. Era amado e desejado, e isso bastava.
Dias se passaram
Meses se passaram
E por fim o inverno chegou. E não tardou para que percebesse que não tinha ninguém ao seu lado para aquecê-lo.
E foi assim durante vários invernos...
Até que um dia ele fez uma das maiores insanidades. Cansado dos espinhos ele os cortou, um por um, lenta e dolorosamente. O curioso é que ao cortar os espinhos, lagrimas brotavam.
No final, já livre dos espinhos e contorcendo-se de dor, o garoto fechou os olhos e esperou por aquela que seria sua morte, eis então que surge as mãos de uma bela moça que o colhe e cuidou dele para que não envelhecesse. E não envelheceu.
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