
Sentado sob o gramado, ele sorria feliz. Suas memórias lhe traziam seu contentamento ao ser contratado para trabalhar no jardim dos Blackwell. Ele era simples com seus trajes surrados e manchados de terra, e era justamente trazendo essa simplicidade em seus trabalhos que conseguia transformar o mais triste dos gramados no mais belo dos jardins.
Todas as noites ele caminhava por todo aquele jardim. Imenso, exuberante com suas flores de todas as formas e cores exalando um pouco da essência do jardim do Éden.
Ele era amante da terra, era parte daquilo. Nunca se apaixonara por beleza alguma além das que criava e se lhe perguntassem de onde vinham tamanha arte, ele dizia que era Deus agindo por suas mãos. Foi por este mesmo amor então que ele fez a maior de suas obras e o mais insano dos atos.
Deitado agora sob o mesmo gramado, ele sorria para as estrelas pedindo perdão pelo que havia feito. A luz da Lua revelava tímida a promessa do jardim perfeito feita por ele.
O vermelho das rosas brancas era dele. De fato, a morte seria sua ultima criação e se orgulhava disso. Podia observar todas as noites seu sangue misturado ao choro das rosas até que o dia, traiçoeiro, obrigasse-o a voltar para seu caixão. Os Blackwell enterraram-no naquele mesmo jardim como gesto de gratidão e em respeito ao amor daquele homem, não ousaram interferir em sua obra.
E como era simples aquele homem...

